segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma breve leitura para um fluxo

Vejo uma folha cair, vejo o inverno. Lembrando esta antiga escrita chinesa que traz, em si, uma noção sobre o trânsito entre o fragmento e o todo, por analogia, poderia afirmar que esta instalação coletiva que por hora, se apresenta na galeria do Cemuni II, também aborda a questão da diferença entre o segmento e o continuum. Esta intenção de ocupação coletiva de um espaço de exibição, este fluxo visual que suscita, de imediato, a idéia de linearidade e continuidade, também abre espaço para sua antítese, o fragmento e a descontinuidade, o interstício por onde se expressa o perfil identitário de cada artista participante.
É com grande satisfação que observo tal campo de conceituação presente nas atitudes e atividades dos nossos alunos. Vejo uma relação direta com algumas questões de grande relevância no contemporâneo. À medida que cada indivíduo participa, dividindo os seus espaços de interferências individualizadoras, em um projeto maior, os relativos particularismos autorais se dissipam em um todo coletivo que termina por comprovar visualmente estas considerações. Uma ação coletiva, um fluxo, onde cada um se perde para viabilizar o todo, é sempre bem vindo.
João Wesley de Souza – Abril de 2010

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